
Fundada em 7 de Setembro de 1851, pelo Cônego João Barbosa Cordeiro, na época pároco da capital alagoana, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió se mantém moderna aos 156 anos. A iniciativa do religioso se deu no mais absoluto espírito de caridade: ele tinha como objetivo garantir um lugar adequado para prestar socorro à população carente, assim a instituição se chamou, inicialmente, Hospital de Caridade São Vicente de Paulo. Todo o serviço era feito pelas irmãs vicentinas. Havia grande falta de infra-estrutura em todo o Estado, inclusive em Maceió, levando o povo a adoecer por causas simples, como a falta de higiene, tanto no ambiente público como no próprio domicílio. Predominavam febre amarela, tifóide, anemia, bronquites, varíola e DSTs como sífilis. A escassez de médico e a dificuldade de acesso ao medicamento eram fatores agravantes, sendo necessária muita caridade para atenuar o sofrimento da comunidade.

O próprio Cônego João Barbosa Cordeiro cedeu os rendimentos das paróquias para ajudar na construção do hospital e o advogado João Camilo de Araújo doou o terreno com 200 palmos de frente e 300 de fundo. O engenheiro Pedro José de Azevedo Sharamback projetou o prédio. A igreja católica também fez um apelo aos fiéis e muita gente colaborou doando o que podia, até que em 7 de Setembro de 1851 foi lançada a pedra fundamental pelo 1O vice-presidente da Província, Manoel Sobral Pinto. O presidente era Sá e Albuquerque, que mais tarde nomeou, em 30 de abril de 1855, uma comissão encarregada pela construção do hospital, bem como pela criação da Irmandade.

Foram montadas de imediato duas grandes enfermarias, uma feminina outra masculina e em termos de dedicação sobressaíram-se os médicos José Antônio Bahia da Cunha, Possidônio de Mello Accioli, José Antônio Lopes, Francisco Homem de Carvalho e Francisco Dias Cabral. Foi um longo processo, até a conclusão do trabalho. O valor necessário para a obra era alto, o dinheiro chegava aos poucos, diferentemente dos pacientes – a demanda era cada dia crescente. Não foi à toa que o patrono escolhido para o hospital foi São Vicente de Paulo, mestre da caridade. Daí surgiu o nome Hospital de Caridade São Vicente de Paulo.

Naqueles tempos medievais o modismo na Europa e depois no Brasil eram as confrarias ou irmandades, grupos de pessoas que se reuniam em prol de um mesmo ideal. A Irmandade da Misericórdia foi a que mais se destacou pela iniciativa de assistência à saúde dos enfermos e atividades afins. Os olhos de todos se voltavam para a primeira Santa Casa de Misericórdia, inaugurada em Portugal, nas cidades de Coimbra, Santarém e Leira, no Século XII, através do trabalho filantrópico da rainha Isabel, esposa do rei Dom Diniz, neto de Afonso X, fundador da Universidade de Coimbra. Três séculos depois foi criada a Irmandade, pelo frade Miguel Contreras, sob as ordens da rainha regente dona Leonor, em 15 de agosto de 1498.

No Brasil, a primeira Irmandade da Misericórdia foi em 1543, na Capitania de São Vicente, em Santos (SP), no mesmo molde da de Lisboa. Em Maceió a Irmandade nasceu em conseqüência do início da construção do hospital, também com o incentivo do Cônego João Barbosa Cordeiro, que mobilizou os devotos de Nossa Senhora dos Prazeres para tal iniciativa, em 30 de abriu de 1855. Fizeram parte da primeira comissão da Irmandade Antônio da Silva Lisboa, Rodrigo Antônio Brasileiro e Manoel da Costa Moraes. Depois o hospital passou momentos de crise financeira até ser transformado em filantrópico, por Decreto/Lei. Mudou para Santa Casa de Misericordia de Maceió e hoje (há mais de 10 anos) é uma das poucas Santas Casas a gozar do privilégio de estar fora da crise.

São os irmãos que elegem o provedor e demais componentes da Mesa Administrativa da Santa Casa para um mandato de quatro anos – em 2007 o provedor Humberto Gomes de Melo tomou posse em seu segundo mandato, mas a primeira gestão ele herdou do professor Lourival Nunes. No entanto, uma vez colocado à votação, teve vitória maciça.
Nos últimos anos o hospital deu um salto tecnológico importantíssimo, além de também ter avançado muito no projeto de humanização do atendimento e padrão de excelência dos seus serviços. Tem um parque tecnológico dos mais sofisticados, principalmente para áreas específicas como radioterapia, medicina nuclear, centro de diagnóstico por imagem, cardiologia, endoscopia digestiva, UTIs e centro cirúrgico.